[Review] iPad Mini com tela Retina: um colírio para os olhos

O iPad mini lançado no ano passado era quase perfeito em todos os sentidos, exceto onde você realmente precisava que ele fosse. Sua tela era decepcionante em comparação à Retina do seu irmão maior iPad, e até mesmo em relação a outros tablets pequenos concorrentes. Este ano? As coisas estão bem diferentes.

O que é

É tentador – e não totalmente incorreto – colocar o iPad Mini na mesma categoria de outros tablets pequenos do mundo, como os Kindle Fires e o Nexus 7. Você não deveria fazer isso. São máquinas diferentes com potencia diferente.

O iPad Mini deve ser comparado com ele mesmo. Ou melhor, com o modelo do ano passado, uma excelente peça de hardware comprometida por uma tela fraca. Era um carro de luxo com um volante feito de gelatina, um Rolex com balas no lugar de engrenagens.

Então o novo iPad Mini é, acima de tudo, uma correção. Com a adição da tela Retina e entranhas poderosas, ele elimina todos os quase do modelo do ano passado. Este é um tablet que você vai querer comprar.

Por que ele importa?

Deixe de lado por um momento a corrida armamentista envolvendo tablets do Google, Apple e Amazon para conquistar corações e mentes. É verdade que há muito espaço para cada uma dessas empresas; o futuro da computação pertence aos tablets e, mais especificamente, às plataformas ligadas a eles. Mas isso é problema deles.

O iPad Mini Retina importa porque o modelo do ano passado representou a primeira vez em muito tempo em que a Apple simplesmente não era competitiva em uma categoria que ela – e você – se importa muito. Se você comprou um, pagou muito por algo que não era tão bom em diversos pontos, e você poderia pagar menos por algo ainda melhor. Este não é o caso do novo iPad Mini.

Design

O novo iPad Mini parece idêntico ao do ano passado. E é verdade. Ele não foi modificado por fora, exceto por estar um pouco mais pesado e grosso para acomodar a tela Retina e as entranhas necessárias para a sua potência. Você não vai nem perceber, e, se perceber, não vai se importar.

Se você não conhece o Mini do ano passado – ou o novo iPad Air, que é um iPad Mini depois de pegar um cogumelo do Super Mario – o resumo que você precisa saber é que ele ainda é um tablet extremamente atraente.

O iPad Mini Retina agora é uma grande placa com moldura fina e adoravelmente chanfrada. Você poderia facilmente confundi-lo com um carregador por indução, ou servir chá em cima dele. É um monólito de 2001: Uma Odisseia no Espaço no tamanho ideal para formigas.

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Além do que você consegue perceber ao olhar para uma imagem, o iPad Mini também é bem firme e balanceado. A finura da moldura ainda é um pouco arrepiante, a traseira anodizada é aderente o suficiente para você andar por aí segurando ele com uma mão sem se preocupar em deixá-lo cair no chão.

Um problema que persiste no design é o posicionamento dos speakers. Eles ainda estão embaixo do dispositivo, próximos ao conector lightning, e o som baixo emitido por eles é coberto quando você coloca a sua mão por lá para segurá-lo no modo paisagem. Se você quiser assistir filmes ou jogar alguma coisa, o jeito é usar fones de ouvido, ou então procurar uma posição estranha para segurá-lo sem prejudicar a saída de som.

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A única outra mudança estética em relação ao modelo do ano passado é que o iPad Mini agora vem nas cores prateado e cinza espacial em vez de preto. Eu prefiro cinza espacial – é bem divertido falar esse nome.

Usando

O primeiro dia que tive que usar óculos foi traumático por razões sociais, mas revelador já que finalmente eu conseguia ver folhas individualmente em árvores no quarteirão onde morava. É mais ou menos essa a mudança da tela do iPad Mini do ano passado para esse novo modelo.

Os textos que eram borrados no modelo passado agora são nítidos e claros (apesar de ainda serem pequenos por padrão). Vídeos que eram borrados e suaves se tornaram imersivos. Quadrinhos, anteriormente praticamente ilegíveis, ainda sofrem um pouco, mas é possível aproveitá-los agora.

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É uma tela maravilhosa. É também a tela que o iPad Mini deveria ter desde o primeiro modelo, e uma que é tão boa – e maior – do que a encontrada no Kindle Fire HDX e no Nexus 7 2013. Ao mesmo tempo que foi uma ótima adição, não devemos esquecer que a Apple deveria ter colocado isso no iPad Mini antes.

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Um problema do novo iPad Mini é o uso externo. Assim como a tela do modelo antigo, a nova é bastante refletiva. Mesmo sentado debaixo de sombra, com o brilho no máximo, eu via mais do meu próprio rosto do que o artigo que tinha guardado no Instapaper. Não é um problema grave, mas considerando que o iPad Mini é bastante portátil, é triste ter tanta dificuldade para olhar para a tela dele sentado em um banco no parque.

Os muitos pixels a mais exigem também muito mais potência, e o chip A7 do novo iPad Mini dá conta do recado. Mas ele não vai muito além disso – ele não é perceptivelmente mais rápido do que o modelo anterior, apesar das entranhas atualizadas (o M7 de movimento está lá também, mas você não vai perceber a sua presença a não ser que use o Mini para jogos). E por mais que ele seja perfeitamente adequado para o uso diário, quem usa muito a multitarefa vai perceber alguns engasgos. Consegui jogar Dead Trigger 2 bem, mas percebi algumas travadas leves em algumas partes.

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A boa notícia é que o iPad Mini tem um tamanho bem mais natural para jogos; seus dedos não precisam se esticar para alcançar a tela como no iPad Air. Os gráficos, portabilidade e facilidade para usar para jogos faz com que ele pareça mais um videogame portátil do que um tablet.

E agora parece um bom momento para falar da seleção de apps. Se estamos falando estritamente em tablets – e, neste caso, obviamente estamos – a Apple é a que tem mais apps e conteúdo. Você pode até tentar contestar isso, mas estará errado. A seleção de apps de tablet do Android ainda não é muito forte, e muitas das opções são apenas apps de smartphones esticados. Comprar na App Store é como visitar um shopping com milhares de opções de lojas. Comprar na Google Play Store é como andar em uma feira de rua 20 minutos antes do fim dela.

Deixei a câmera para o fim, já que é uma coisa que você não vai dar muita atenção neste dispositivo. Ela é boa? É. Não como no iPhone 5S – abaixo, crops lado a lado das duas câmeras – e certamente muito mais estranha de se usar, mas ela consegue tirar fotos que vão ficar boas quando enviadas para a web.

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Gostei

O iPad Mini do ano passado era quase perfeito, exceto por um ponto – a tela. O modelo novo não apenas corrigiu essa falha como também acompanha o iOS 7, um sistema operacional que, apesar de qualquer coisa que você possa pensar dele, é maravilhoso em telas retina.

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E as pequenas coisas que faziam o iPad Mini tão bom no ano passado foram mantidas. O aspecto 4:3 – o mesmo de uma folha de papel – faz ele ser ideal para leitura e navegação casual na web; o Kindle Fire HDX e o Nexus 7 não se saem tão bem nesse ponto. A bateria é ainda melhor do que o prometido pela Apple, aguentando mais de 11 horas de uso contínuo e pesado.

Estranhamento, gostei muito de não ter o TouchID aqui. Provavelmente aumentaria o preço de um dispositivo que não precisa disso.

Acima de tudo, eis aqui uma segunda tela perfeita.

Não gostei

O iPad Mini ficou mais caro do que seu antecessor. No Brasil, o aumento ficou entre R$ 150 e R$ 200, dependendo de especificações e conectividade. É mais do que eu me sinto confortável pagando por um aparelho desses. Nos Estados Unidos, ele custa US$ 70 a mais do que o modelo anterior, e quase o dobro do que o Kindle Fire HDX e o Nexus 7 custam – lá fora eles saem por US$ 230, enquanto o iPad Mini custa a partir de US$ 400. E esses US$ 170 de diferença podem ser usados para muitas outras coisas.

Além da questão de custo, minhas outras reclamações são pequenas ou apenas preferência pessoal. Os speakers não são excelentes e estão mal posicionados. Ele engasga para carregar algumas coisas mais pesadas, mas não o suficiente para incomodar. A tela reflete demais para ser usada em um ambiente aberto. O aspecto 4:3 é ótimo para leitura, mas as faixas pretas incomodam na hora de assistir vídeos.

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E é isso. Alguns problemas que não atrapalham e não prejudicam tanto o desempenho geral do aparelho.

Devo comprá-lo?

Os únicos motivos para não comprar um iPad Mini – considerando que você gostaria de comprar um tablet – são questões de preferência pessoal e custo. Você pode gasta R$ 1.749 (vamos ser francos, 16GB não é o bastante, e o modelo de 32GB é um pouco mais caro) em uma segunda tela? Você prefere tablets menores aos modelos maiores devido à portabilidade? Você já mergulhou no ecossistema do iOS? Se você respondeu sim para tudo isso, vá em frente.

Não acho que seja o meu caso. Uso meu iPad para assistir filmes quando viajo, ler revistas e checar emails quando estou com preguiça de me levantar e caminhar até o computador. Gosto de ter mais espaço, uma tela maior para brincar. E se eu quisesse uma opção menor, iria de Kindle HDX, já que também gosto bastante do ecossistema da Amazon.

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O mais importante deste novo iPad Mini é que ele enfim se tornou uma opção verdadeiramente viável. Quer um iPad menor? É este aqui. Quer um maior? Vá de iPad Air. Não quer um produto da Apple? Você pode ir de Nexus 7 ou Kindle Fire HDX. Windows? Surface. O fato é que agora temos tablets para todos os gostos. O iPad Mini era a peça final deste quebra-cabeça – e ele fecha com bastante competência.

Especificações técnicas

  • Sistema operacional: iOS 7
  • CPU: Processador A7
  • Tela: 7.9 polegadas 2048 x 1536 IPS
  • RAM: 1GB
  • Armazenamento: 16 GB, 32GB, 64GB, 128GB (não disponível no Brasil)
  • Câmera: 5MP, 1080p traseira; 720p, 1.2MP frontal
  • Bateria: 6471 mAh
  • Preço: A partir de R$ 1.499

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